|
|
Gravando Van Gogh
Oficina realizada de 16 a 25/01 no Espaço Cultural 508 Sul - orientação de Sylvio Monteiro








Escrito por Manoela Afonso às 11h01
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
CONCLUSÃO - p.55
Ainda em "O Besouro da Cultura" de Patrícia Ferreira Alves:
"O Espaço Cultural Renato Russo - 508 Sul é um espaço cujo potencial fica à mercê de critérios políticos, causa das descontinuidades verificadas. Para se estabelecer alguma continuidade nos processos culturais seria preciso desvincular o Espaço Cultural do Estado, das autonomia às suas ações."
"Os ideias também se mostraram fundamentais no desencadeamento dos processos culturais, uma vez que são as ações pessoais a base para todas as outras ações (Weber). Mas os processos culturais iniciados ali não puderam ter desdobramento, pois foram interrompidos pelos ciclos políticos, períodos curtos demais para um projeto alcançar a maturidade."
"A trajetória do Espaço Cultural Renato Russo - 508 sul revela como a burocracia do Estado pode sufocar os processos criativos da cultura. Nestes processos, as ações pessoais se mostraram fundamentais para o desencadeamento dos movimentos sociais. Pois foi a resistência de alguns agentes culturais que, enfrentando os obstáculos impostos, possibilitou a criação de uma atmosfera dinâmica nos momentos mais efervescentes da 508 (...)".

Fotografia: Zamy Pesci entintando sua placa de metal, 2005
Escrito por Manoela Afonso às 20h24
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
PRIMEIROS PASSOS - p.17
Ainda em "O Besouro da Cultura" de Patrícia Ferreira Alves:
"O primeiro diretor da Fundação Cultural foi Ferreira Gullar (1960-1962) que, nas palavras de Maria Duarte, 'a projetou como um núcleo de irradiação e estímulo à cultura local, que imaginou essencialmente candanga, produto de transplantação de brasileiros de todas as regiões, principalmente nordestinos, para o Planalto Central, atuando como co-autores da cidade. O projeto cultural para a cidade deveria considerar uma realidade específica: Brasília era a junção do mais antigo - a cultura tradicional trazida pela mão-de-obra operária - com o mais novo do Brasil - o urbanismo de Lúcio Costa e a arquitetura de Niemeyer (...)'." p. 17
"Com a saída de Ferreira Gullar e a entrada de Alcides Rocha Miranda, em 1962, verifica-se uma descontinuidade nos projetos (...)" p. 17
"Em janeiro de 1973, assume a direção-executiva da Fundação Cultural, Ruy Pereira da Silva, que começa a ocupação dos galpões da 508 (...). Nessa época, a Fundação Cultural tinha assessorias de Teatro, Dança, Música, Artes Plásticas, Literatura e Cinema, que eram responsáveis por elaborar e executar projetos culturais. (...) a divergência entre Estado e classe artística gera manifestações contrárias à direção de Ruy Pereira, que parece ter ligado suas ações, principalmente, a uma visão mais elitista da cultura, onde a população participa de uma forma passiva, só como consumidora." p.17
"(...) em 1975, toma posse da Secretaria de Educação e Cultura, o embaixador Wladimir Murtinho. E o impacto da chegada de Murtinho é registrado por Maria Duarte em sua tese: 'Depois dos planos de Anísio Teixeira para o sistema de ensino, e de Ferreira Gullar para a Fundação Cultural, só na gestão de Wladimir Murtinho (...) fez-se um esforço sistematizado para definir as diretrizes que norteariam a política de ação cultural da Secretaria (...)'." p. 22
"Murtinho é visto como uma pessoa mais sensível às questões culturais. Sua visão é que o 'Estado não deve interferir na cultura, deve dar estruturas que permitam a criatividade, para que as pessoas se encontrem'." p. 26
"Atualmente (2000), o Espaço Cultural Renato Russo - 508 Sul vive um momento de dissociação entre direção e classe artísitica (...). Alguns artistas comparam as duas épocas, como Ary Pararraios, para quem a reforma foi o fim do Espaço: 'Ele não tem mais o apelo que tinha antes. Geralmente está fechado ou não tem ninguém para dar uma informação. É um serviço público, que funciona teoricamente até a noite. Mas você não encontra ninguém para dar informação. As pessoas fazem prédios mas não sabem cuidar. Funcionava do jeito que era. O povo não acreditou no espaço e as pessoas que trabalham aqui também não acreditam. Era improvisado e continua improvisado, mas só que bonitinho. Eles não sabem qual é a vocação daqui. Na época do Wladimir isso funcionava. Por quê? Porque havia uma pessoa interessada em cultura. E nos últimos governos, o pessoal não é interessado em fazer cultura. É interessado em fazer uma mistura entre política e cultura. E colocam pessoas mal treinadas para cuidar de espaços como esse'.". ps. 53/54
Realmente, trabalhar com cultura no Brasil é para quem tem muita paixão pela coisa. Mas com muita paixão vamos caminhando com satisfação, apesar dos pesares e das pedras no caminho. O Grupo Gravadores do Espaço ainda persiste.

Fotografia: prensa emprestada para os Gravadores do Espaço por Nininha e, mais atrás, Sylvio Carneiro Monteiro, instrutor das oficinas de Gravura e Desenho, 2005
Escrito por Manoela Afonso às 19h16
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
O BESOURO DA CULTURA
"O Besouro da Cultura" é um trabalho de conclusão do curso de Comunicação Social/Jornalismo da Universidade Católica de Brasília, realizado em 2000 por Patrícia Ferreira Alves. Essa pesquisa analisa as continuidades (que foram somente em 2 casos) e as descontinuidades (todos os outros casos, enfim, diversos) dos processos culturais no Espaço Cultural 508 Sul. Pesquisa importantíssima, visto que este Espaço não possui passado, não há registros, sobretudo quando as descontinuidades acontecem sob o pensamento de que é preciso (re)começar do zero a cada instante; alguns passos a mais e é preciso voltar a zero... como se essa história estivesse condenada aos castigos do HADES.
Reproduzo abaixo alguns trechos dessa preciosa pesquisa:
"A breve história cultural de Brasília passa pelos espaços da 508 sul. Um lugar que já foi de grandes espetáculos e, também, de atitudes não tão louváveis. E que permanece na memória da cidade como um espaço de resistência da cultura popular.(...)" p.8
"O Besouro da Cultura. Essa expressão foi usada por Tetê Catalão em 1995, para designar o Espaço Cultural Renato Russo - 508 Sul, quando ele começou a sofrer com cortes de gastos. Segundo Tetê, cientificamente, dado seu volume e tamanho de suas asas, o besouro não poderia voar. No entanto, 'negando os prognósticos, o inseto teima e voa. Mas o besouro também zune e talvez nosso zunido esteja despertando muita inveja ou seja um trabalho que não deva continuar'.(...)" p.8
" O tribalismo (...) é um tipo de agrupamento social que, segundo Maffesoli, é característico da pós-modernidade. (...) são pequenos grupos que se formam a partir de interesses comuns e que estão ligados a um mesmo local (que pode ser real ou simbólico). Essas tribos são formadas a partir de um lugar, onde elas se reúnem, onde os indivíduos se reconhecem ao se identificarem com os outros. A relação com o espaço torna-se algo fundamental" ps.11/12
" Os espaços estão repletos de afetos e de emoções comuns, 'são feitos por e para as tribos que aí escolheram domicílio' (Maffesoli). O espaço não deve ser compreendido somente por sua apresentação física, é preciso considerar também o que circula no seu interior e ao seu redor, as informações, rumores, imagens, sentimentos, para compreender melhor sua construção. Maffesoli sintetiza muito bem o que representa o espaço na sociedade pós-moderna: 'a inscrição espacial é uma verdadeira memória coletiva. (...) o espaço é tempo que se cristaliza (...)'. Assim, o espaço é de suma importância para o fortalecimento de uma sociedade, que só perdura mediante a existência de um forte sentimento de si mesma. E, muitas vezes, é o espaço que garante esse sentimento. O espaço compartilhado entre os indivíduos, onde circulam as emoções e os símbolos, onde se inscreve a memória coletiva." p.12
"A cultura aparece, pois, como a participação dos indivíduos na sociedade a que pertencem. E toda cultura funciona sob a influência de valores, ou seja, de princípios e normas que asseguram esta participação e, conseqüentemente, a coesão do corpo social." ps. 12/13

Gravadores do Espaço - encontro às quartas-feiras no Espaço Cultural 508 Sul/2005
Escrito por Manoela Afonso às 15h50
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Vasculhando a História do Espaço...
"Não fechei os olhos
Não tapei os ouvidos
Chorei, toquei, provei
Ah! Eu sei todos os sentidos.
Só não lavei as mãos
E é por isso que eu me sinto
Cada vez mais limpo"
Ivan Lins
Texto de abertura do trabalho "Espaço Consciente" de Eliete Pereira, pesquisa realizada no Espaço Cultural 508 Sul - 1994

Imagem: ponta seca s/ acrílico de Márcia Mazzoni - 2005
"O Projeto 'Espaço Consciente' nasceu da necessidade de oferecer atividades que fossem do interesse de adolescentes frequentadores do Espaço Cultural Renato Russo localizado na 508 sul (...)"
"(...) objetiva a afirmação da cidadania e a transformação do comportamento desses jovens através da arte e da cultural, utilizando a arte como um meio para a construção das identidades culturais nos processos socias (...)"
Escrito por Manoela Afonso às 14h17
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
RESGATE
Destaco aqui alguns dos tópicos citados por Tetê Catalão em "Informação e Formação: pontos de um programa báscio para o Espaço Cultural 508 Sul". Tais tópicos podem nortear as atividades dos Gravadores do Espaço, quem sabe?
- Praticar arte como exercício permanente abrindo espaços para a mostra do que esteja ainda em elaboração sem deter fobias quanto ao "pronto" e ao "acabado";
- Cuidar para que as mostras ou espetáculos ou sejam resultados de um processo instalado na 508 ou provoquem um processo de ensino e reflexão na 508;
- Praticar arte como ferramenta, instrumento e sagração da vida, propulsora da história, valores, bens, serviços, idéias, temperos, têmperas, sotaques, modos e linguagens;
- Polarizar núcleos de formação com vistas a todo DF;
- Considerar o Espaço como incentivador primordial de ensaio, tentativas, erros, retomados sem a preocupação aniquiladora do mercado imediatista;
- Lidar atentamente com a necessidade de captação de recursos através de grupos voluntários e atividades que possibilitem renda a ser aplicada no Espaço sem perder a diretriz básica que reveste o Espaço como de Educação e Experimento;
- Acreditar que ninguém "leva" cultura para alguém, mas sim extrai de alguém sua cultura oferecendo condições para a expressão através de equipamentos, ferramentas, matéria-prima, idéia e práticas.

Felipe Salsano trabalhando ponta-seca s/ acrílico - 2005
Escrito por Manoela Afonso às 15h41
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
2006 COM MUITO TRABALHO E ARTE PELA FRENTE!
Em minhas pesquisas referentes ao Espaço Cultural 508 Sul tenho encontrado muita coisa interessante. Vale a pena dividir com vocês. O texto abaixo é de Tetê Catalão e é o prefácio de um livro de registro das atividades realizadas no Espaço. Não sei a data desse documento ainda, mas vale a pena ler e se deixar contagiar pelo sentimento de militância pela arte que existiu no Espaço há alguns anos.
"A quantidade pode não gerar qualidade, mas depura, garimpa, ara, prepara, ensaia o que não está pronto nem depende de aplauso ou crítica para cumprir a promessa de experimentar pelo compromisso exclusivo da linguagem.
O Espaço Cultural da 508 Sul é um signo da teimosia amorosa dos que amam Brasília e não seus cargos. Artistas ARTIVISTAS mantendo a idéia da proposta utópica de uma cidade nascida de um sonho em busca da solidária e fraterna realização. Questão capital do país e não apenas da Capital. Artistas comprometidos com o processo cultural além da construção individual de suas próprias obras.
Criam-se enquanto criam. E lutam para que outros mais também possam criar, fazer, ser e assim romperem o círculo miserável da vidinha sob narcose e chacina econômica. Anti-pobreza do espírito. O reencontro com a auto-estima, o auto-respeito, o prazer e a ousadia estética no caminho da dignidade. Cultura feito pão. O brio contra o breu. A ginga contra as gangs.
ARTIVISTAS lutam para que mais tenham acesso a mais espaços. Mais encontrem informação e treinamento sem o limite do "estou formado". Mais pessoas precisam de equipamentos, ferramentas, técnicas, meios de produção artística para que brote o novo a partir da tradição assimilada e reconstruída. Arte feito ofício, sem os artifícios passageiros do mercado, sem o fundo falso massificador da cartola que cria dependentes enquanto padroniza, achata.
Arte como desenvolvimento para sair do papel humilhante da esmola, do pires na mão, da benesse, do rodar a bolsinha pelo trânsito pessoal, somente. Arte que liberta. Que age. Que provoca, instiga. Erra e berra. Exposta. Faz história sem bandeiras, crachás ideológicos ou slogans estéticos. Mas até pode usar isto. Porém não se perde nos truques do poder por estar abençoada pela luz que se atreve às trevas. Por não discriminar nem idolatrar, é sinal vivo para quem decidiu dar um basta em tanta amputação de sentimento: plenitude, já!
Mesmo que neste espaço não se produza nenhum "grande nome", o fundamental é que ele estará sempre incandescente, febril, instigante, por grandes momentos vividos intensamente por quem o assuma de verdade, na cabeça e no espírito, nas vísceras e na alma. O consagrado aqui é profano pois este é o espaço da nudez, o vácuo do aprendizado, o momento mago da fissão em que não se sabe mais quem ensina e quem aprende. Por isso a troca não exige troco.
O Espaço Cultural da 508 Sul é uma obra aberta aos que se recusam a repetir. Aos que desejam compartilhar sua arte com mais de um. Aos que detestam a platéia escrava e o aplauso egolátrico apenas pelo mero reconhecimento, mas que precisam ir além. Ensinar para extrair a sina de que uns "nasceram" ungidos para a arte e o resto para o consumo.
E Espaço Cultural 508 Sul é alternativo no sentido da alternância, do mudar, do deslocamento de circuitos, do estranhamento, da constante busca. É um espaço, também, alternativo por viver sempre na tentativa de conviver com os contrários, celebrar a diferença, acreditar um sonho começa COM UM, brota, cresce, até virar COMUM."
Tetê Catalão

Agda trabalhando em seus marcadores de livro para o exchange - estampe.be - Espaço Cultural 508 Sul - Gravadores do Espaço/2005
Escrito por Manoela Afonso às 12h58
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
 |
| [ ver mensagens anteriores ] |
|
 |


|
 |